
Drogo me para ceder aos meus instintos, aos meus impulsos que anseiam por sair e devastar tudo o que apareça a menos de dois passos de mim. Ou mesmo o que está ainda mais perto, o meu interior, aquilo que só eu escuto e mais ninguém. A solidão que eu sinto neste momento é criada por mim e não posso culpabilizar mais ninguém por ela. Choro, calada, escondida, drogo me para o dia de amanhã depressa chegar e a angústia de agora não passar de uma lembrança inebriado pelo sol envergonhado de Maio, que tem teimado em espreitar. Choro baixinho, para ninguém ouvir. Porque tenho vergonha. O cansaço vai-se apoderando de mim, a pouco e pouco e vou sentido mais calor… os olhos pesam, mas será do efeito da droga ou do inchaço das lágrimas que rolam pelo meu rosto? Talvez as duas. Nestas alturas, oiço os sons dos passos do meu pai, a entrar de mansinho, porque me ouviu chorar. Sempre lhe dizia que não era nada, porque sempre achei que ele não me compreendia, e não compreende. Mas mais uma vez, não é problema dele, é meu porque não consigo explicar a ninguém estas angústias que vão e vêm… que vão e vêm. Nesta angústia visualizo-me vezes sem fim, a acabar comigo, num meu gesto tipicamente egoísta, talvez com um lençol, dramático e bem ao meu estilo. Visualizo cada pormenor. Sem coragem de as concretizar, cobarde, mil vezes cobarde por seres tão plenamente egoísta.
Choro por cada cena que vejo, que oiço, que sinto. Coisas absurdas, mas que fazem um clique silencioso e que me fazem desfazer em lágrimas. Choro quando vejo uma cena romântica, mas não por ser romântico, mas por inveja de não ser eu que estou a viver aquilo. Choro quando oiço música que me faz lembrar momentos de felicidade, que já não os tenho. Choro por egoísmo. E lá estou eu, a me fazer de mártir de coitada, como tantas vezes ouvi.
Gostava que fosse possível alcançar um sentimento, que não é vosso, que não vos pertence. Sim, difícil presumo. Eu sei do meu sentimento porque ele pertence-me e eu vivo o com a minha intensidade. Como explicar sentimentos então? E pior e mais duro que tudo, como explicar sentimentos que andam em catadupa, que daqui a uns momentos sejam outros e depois desses outros já são outros e mais outros e mais outros. Ninguém entende isso… ninguém. Eu não entenderia, a não ser obviamente que tivessem a mesma linha de pensamento e de emoção que eu. Amanha acordo, faço as minhas coisinhas, vou ai ginásio, ás compras, ver se encontra o macacão lindo que vi, comprar uma pen e um tinteiro, voltar para casa e mais que tudo… contrariar tudo o que faz de mim um ser pensante. Existir, somente, como eu digo, na simples existência de respirar. Mas há alturas em que isso não é possível, em que camuflares os teus pensamento só puxam mais questões e questões, até que dás por ti a pensar em mil e uma coisas diferentes (com todo o meu arsenal de negativismo, autocomiseração, de baixa auto estima). E a bola vai crescendo proporcionalmente à minha angústia. As drogas cada vez pesam mais.
Pena não conseguir escrever muito mais, mas as peças do computador já me parecem de computadores de infantário, com manchas de sangue nas teclas, o que me parece querer dizer que é hora de dizer basta.
Amanha acordo… e cadê esta ansiedade?Esta angústia? Pois é meus amigos, o mais engraçado é até parecer que nunca a vivi… mesmoo tentendo recordá-la para a despertar, tudo pareceu tão ridículo e despropositado. Amanhã rio-me disto, não consigo manter me fiel a certas decisões… pensei X pq é que faço Y? fácil… pq estou adormecida do pensamento ou plo menos o meu pensamento não está num patamar tão elevado como o que estava ontem. De manhã não sinto nada… sinto-me 1- aparentemente bem, bem disposta 2- Com algumas coisas planeadas para o dia e que são, geralemte cumpridas 3- vamos lá começar o dia, que o de ontem já mal me recordo , acho que me passei um pouco, aquilo não foi nada, foram filmes da minha cabeça…. E NÃO, não foram filmes, grita o meu eu angustiado, tu sentiste aquilo, sentiste mal como tudo, pensaste em te enrolar o lençol branco, lembraste.
O que eu desejava do fundo do meu coração. Era sentir me uma pessoa normal. Porque eu não me sinto normal. Porque estes dois eus, confundem me, baralham-me, enlouquecem-me. Que credibilidade posso eu ter?à frente do meu namorado, dos meus amigos, da minha família, dos meus colegas. Como posso não manter uma coerência relativa e não oscilar de sentimentos, opiniões várias vezes ao dia
È assustador aperceberes te que há uns momentos tinha dito algo… e quando confrontada de novo, já é algo diferente.. que coerência, o que é isto?
Como posso discutir com o H. e eu querer o abraço dele nos instantes a seguir. Como Posso dizer que não o quero fora de casa, e no dia a seguir agir como se nada fosse.
Isto satura, uma pessoa assim saturada… eu sinto me saturada de mim própria quanto mais quem está tanto tempo comigo. Mas o que me assusto é que as coisas não melhoram com os anos. As minhas estratégias não são eficazes
Pergunto-me se haverá mais como eu… se haverá mais um pelo menos, para eu sentir que há um nós. A solidão tem sido dura nos últimos tempos. Sinto me só, a maior parte das vezes incompreendida. Mas o que há para compreender? Como posso esperar que alguém me compreenda?

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